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Categoria: Noticias4 min de leitura

Justiça Condena Marido e Sacerdote por Assassinato de Empresária em Mato Grosso

Por Equipe NG8 ·

Justiça condena marido e sacerdote por matar empresária em MT para evitar divisão de bens; penas ultrapassam 28 anos.

O Tribunal do Júri de Mato Grosso condenou nesta terça-feira (3) dois homens acusados de envolvimento no assassinato da empresária Jéssica Alves, ocorrido em 2021. O caso, que chocou o estado pela frieza e motivação do crime, chegou ao fim com a condenação do marido da vítima e de um sacerdote religioso, acusados de planejar e executar o homicídio para evitar a partilha do patrimônio em um possível divórcio.

Crime premeditado e motivado por bens

De acordo com o Ministério Público, o marido da empresária, junto a um líder espiritual com quem mantinha relação próxima, arquitetou a morte da vítima para que não precisasse dividir o patrimônio construído durante o casamento. A motivação teria sido exclusivamente financeira, já que o casal enfrentava uma crise conjugal e discutia os termos da separação.

As investigações revelaram que o plano foi desenvolvido ao longo de meses. O sacerdote, que atuava em uma comunidade religiosa da região, teria convencido o acusado de que a morte era "espiritualmente necessária" e o auxiliado a organizar os detalhes da ação criminosa. A vítima foi assassinada dentro da própria casa, em um ataque brutal que chocou a vizinhança.

Julgamento revela detalhes macabros

Durante o julgamento, testemunhas relataram que a vítima vinha sofrendo ameaças veladas e comportamento controlador por parte do marido. A promotoria apresentou provas materiais e depoimentos que indicavam que o sacerdote também teve participação ativa no planejamento do crime, inclusive ajudando a forjar álibis e ocultar evidências.

Segundo os autos, o corpo da empresária foi encontrado com sinais de estrangulamento, em um quarto trancado da residência. A investigação constatou ausência de arrombamento, indicando que a vítima conhecia o autor ou autores. Análises periciais e laudos confirmaram a sequência dos eventos, e conversas extraídas de celulares foram fundamentais para demonstrar a ligação entre os dois réus.

Condenações e penas aplicadas

O júri popular reconheceu a culpa dos dois homens por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O marido da vítima foi condenado a 30 anos de reclusão em regime fechado, sem direito a atenuantes, enquanto o sacerdote recebeu pena de 28 anos, também em regime fechado.

Na sentença, o juiz responsável pelo caso afirmou que o crime representou uma grave violação dos valores familiares e espirituais, tendo sido cometido de forma planejada, covarde e com total desprezo pela vida. Ele ressaltou ainda que o envolvimento de uma figura religiosa no crime agravou a responsabilidade dos réus, dada a influência exercida sobre o marido da vítima.

Repercussão social e indignação pública

O caso teve ampla repercussão em todo o estado e foi acompanhado com atenção pela imprensa local. Entidades de defesa dos direitos das mulheres se manifestaram durante o julgamento, destacando o feminicídio como uma expressão extrema do machismo e da desigualdade de gênero. A empresária era considerada uma mulher independente, empreendedora e admirada em sua comunidade.

Amigos e familiares da vítima demonstraram alívio com a decisão da Justiça, mas também ressaltaram que a dor da perda jamais será reparada. "O que fizeram com ela foi monstruoso. Queriam calar sua liberdade, sua força. Hoje a Justiça mostrou que não existe impunidade para quem mata por ganância", disse uma amiga da família na saída do tribunal.

Saiba quem era a vítima

Jéssica Alves era proprietária de uma empresa do ramo de estética e beleza em Cuiabá. Tinha 36 anos e era conhecida por sua atuação em projetos sociais voltados ao empoderamento feminino. Nos últimos meses antes do crime, havia expressado interesse em encerrar o relacionamento e recomeçar a vida longe do marido, o que pode ter motivado a fúria dele.

Ela deixou dois filhos, atualmente sob os cuidados dos avós maternos. A família informou que pretende dar continuidade aos projetos sociais da empresária como forma de manter viva sua memória e transformar o luto em luta por justiça para outras mulheres vítimas de violência doméstica.

Desdobramentos e próximos passos

Apesar da condenação em primeira instância, as defesas dos réus já sinalizaram que vão recorrer da sentença. Os advogados alegam que houve falhas na condução da investigação e que as provas apresentadas são circunstanciais. A promotoria, por sua vez, afirmou que o processo foi conduzido com total lisura e que o material reunido é robusto e suficiente para manter as condenações em instâncias superiores.

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Enquanto isso, o caso permanece como símbolo de alerta para os riscos da violência doméstica travestida de religiosidade, e reforça a importância de ações integradas entre poder público, sociedade civil e sistema de Justiça no combate ao feminicídio em todas as suas formas.

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