INSS não prevê ressarcimento imediato em casos de fraude ou venda casada
INSS inicia notificações sobre descontos indevidos, mas ressarcimento de aposentados em casos de fraude ou venda casada pode levar mais tempo.
INSS não prevê ressarcimento imediato em casos de fraude ou venda casada
13/05/2025 – 14h47 – Atualizado há 6 horas
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não deve realizar de forma imediata o ressarcimento de aposentados e pensionistas que foram vítimas de fraudes ou de práticas conhecidas como "venda casada", segundo apuração com fontes ligadas ao governo federal.
Nesta terça-feira (13), o INSS notificou cerca de 9,4 milhões de beneficiários cujos pagamentos sofreram descontos por parte de entidades associativas. A partir desta quarta-feira (14), os segurados poderão informar, através do aplicativo Meu INSS, se autorizaram ou não esses descontos.
Nova instrução normativa
Para regulamentar o processo de contestação, foi publicada no Diário Oficial da União uma instrução normativa com as regras para consulta, contestação e restituição de valores descontados de maneira irregular entre 2019 e 2024.
Segundo a norma, se o segurado declarar que não autorizou o desconto, a entidade terá 15 dias úteis para apresentar documentação que comprove o consentimento, incluindo:
- Cópia do documento de identidade do segurado
- Ficha de filiação à entidade
- Termo de adesão ao desconto
Caso os documentos não sejam apresentados, a entidade será obrigada a restituir os valores ao governo, que então fará o repasse corrigido ao aposentado ou pensionista, diretamente na conta vinculada ao benefício.
Casos de fraude e contestação adicional
Mesmo se os comprovantes forem entregues, o beneficiário poderá manter a contestação, apresentando justificativas e provas de que houve fraude — como falsificação de assinatura ou uso indevido de documentos.
Fontes do governo destacam que muitos casos envolvem assinaturas obtidas durante a contratação de empréstimos consignados, configurando "venda casada". Nesses casos, a assistência jurídica poderá ser oferecida por meio de uma parceria entre o Ministério da Justiça e defensorias públicas estaduais.
Já para situações envolvendo fraudes documentais, o INSS deve orientar os segurados a registrarem boletins de ocorrência junto à Polícia Civil.
Prejuízo estimado e expectativa
As autoridades estimam que o esquema pode ter prejudicado cerca de 2,7 milhões de beneficiários e causado prejuízos superiores a R$ 6 bilhões. Técnicos do governo avaliam que grande parte das entidades notificadas não conseguirá apresentar nenhuma documentação válida, e terão de arcar com os ressarcimentos.
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O presidente do INSS já havia assegurado publicamente que todos os valores cobrados indevidamente serão devolvidos, mas reforçou que o processo dependerá da análise caso a caso, conforme os trâmites estabelecidos.