Funeral de Mujica: Viúva se Despede com Emoção e Abraça Bandeiras do Caixão
Funeral de José Mujica é marcado por homenagem emocionante da viúva Lucía Topolansky. Ex-presidente será cremado e terá as cinzas enterradas em sua chácara.
Funeral de Mujica é encerrado com homenagem emocionante da viúva Lucía Topolansky
O funeral do ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica foi encerrado no fim da tarde desta quinta-feira (15) com uma cena comovente: Lucía Topolansky, sua esposa e companheira de vida e militância, abraçou as bandeiras que cobriam o caixão do ex-líder. A cerimônia, aberta ao público e realizada no Palácio Legislativo, teve duração de mais de 24 horas.
Segundo informações da imprensa local, o corpo será cremado nesta sexta-feira (16), e as cinzas serão enterradas na chácara onde Mujica viveu por décadas, nos arredores de Montevidéu, conforme seu desejo em vida.
Despedida pública e última homenagem
Desde a manhã de quarta-feira (14), milhares de pessoas passaram pelo velório para prestar suas homenagens. O caixão, transportado em uma carreta militar, percorreu ruas da capital uruguaia até chegar ao Parlamento, onde foi velado com as bandeiras do Uruguai e do Movimento de Participação Popular (MPP).
O encerramento da cerimônia foi adiado por duas horas para que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Gabriel Boric, do Chile, que estavam em visita oficial à China, pudessem prestar seus tributos. Lula relembrou o período em que Mujica esteve preso e foi torturado, e destacou sua generosidade e ausência de ressentimento:
“Pepe Mujica não morre. Seu corpo se foi, mas suas ideias permanecem. Um homem que passou 14 anos preso e saiu sem ódio é uma dádiva para a humanidade.”
— Luiz Inácio Lula da Silva
Vida, luta e legado
Mujica faleceu aos 89 anos, poucos dias antes de completar 90. Ele enfrentava um câncer no esôfago desde 2024. Ícone da esquerda latino-americana e conhecido por seu estilo de vida simples, governou o Uruguai de 2010 a 2015. Durante seu mandato, aprovou políticas pioneiras como a legalização do aborto, da maconha e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Em vida, expressou o desejo de ser enterrado ao lado de sua cadela Manuela, que morreu em 2018. A chácara onde viveu, cultivando hortas e rejeitando luxos, será o local de descanso de suas cinzas.
Velório e homenagens de todo o espectro político
A cerimônia de despedida foi marcada por respeito e unidade. Adversários políticos, como o ex-presidente conservador Luis Alberto Lacalle, também estiveram presentes. “Tivemos muitas diferenças, mas é importante valorizar o que há de bom nas pessoas”, declarou.
O atual presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, aliado político e herdeiro ideológico de Mujica, decretou luto oficial de três dias. Serviços públicos não essenciais foram suspensos e as bandeiras nacionais ficaram a meio mastro.
Da guerrilha ao governo: trajetória de um símbolo
Nascido em 1935, Mujica integrou nos anos 60 a guerrilha Tupamaros, que lutava contra a desigualdade social antes da ditadura militar. Preso em 1972, passou 14 anos encarcerado, a maior parte em condições extremas. Foi libertado com a anistia de 1985 e, mais tarde, fundou o MPP.
Foi eleito deputado em 1994, senador em 1999 e ministro da Agricultura em 2005, no governo de Tabaré Vázquez. Assumiu a presidência em 2010, focando em políticas sociais e inclusão.
Após o mandato, retornou ao Senado, mas renunciou em 2020 devido à saúde debilitada. Passou os últimos anos dedicando-se à vida no campo e doando grande parte de seu salário a projetos sociais.
“Não tenho religião, mas sou quase panteísta: admiro a natureza.”
— José Mujica, em entrevista de 2012
Último gesto de amor e resistência
A imagem de Lucía Topolansky abraçando as bandeiras que cobriam o caixão de Mujica emocionou o país e simbolizou a força da trajetória do casal. Juntos por décadas, lutaram pela democracia, pela justiça social e pela construção de um Uruguai mais igualitário.
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O funeral encerra-se, mas o legado de Mujica segue vivo em discursos, políticas públicas e na memória coletiva de toda a América Latina.