Cirurgia de separação de siamesas será uma das mais complexas já feitas em Goiás
Gêmeas siamesas unidas pelo abdômen e bacia passarão por cirurgia de separação em Goiás. Procedimento deve durar mais de 15 horas e envolve 50 profissionais.
Separação de siamesas unidas pelo abdômen e bacia será uma das cirurgias mais complexas de Goiás
Cirurgia deve durar mais de 15 horas
O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, se prepara para realizar neste sábado (10) uma das cirurgias mais complexas já feitas no estado: a separação das gêmeas siamesas Kiraz e Aruna, de 1 ano e 6 meses. As irmãs nasceram em São Paulo e são unidas pelo abdômen e pela bacia, compartilhando órgãos e estruturas ósseas do quadril.
Segundo o cirurgião pediátrico e deputado federal Zacharias Calil, responsável pelo procedimento, a operação exigiu um ano de planejamento e deve reunir mais de 50 profissionais de diversas áreas, incluindo cirurgiões e anestesistas.
Equipes mobilizadas e protocolos de segurança
A diretora técnica do hospital, Flávia Godoy, explicou que o número elevado de profissionais é necessário devido à complexidade da cirurgia e à imprevisibilidade do tempo total do procedimento.
“Se formos resumir, há uma média de 50 pessoas diretamente envolvidas entre pré, intra e pós-operatório”, afirmou Flávia à TV Anhanguera.
As gêmeas estão internadas desde quarta-feira (7) em enfermaria isolada, como medida preventiva contra infecções, especialmente respiratórias. Segundo o Hecad, o quadro clínico das meninas é estável.
Mais de um ano de preparação
Desde os primeiros meses de vida, Kiraz e Aruna são acompanhadas pelo Dr. Calil. Há seis meses, passaram por uma cirurgia de pré-separação para a implantação de expansores de pele, que estimulam o crescimento de tecido necessário para cobrir áreas expostas após a separação.
Em abril, as irmãs passaram a ter consultas quinzenais e visitas semanais ao hospital, para monitorar o desenvolvimento e manter o esquema vacinal em dia. A preparação incluiu exames detalhados para detectar possíveis infecções e garantir as melhores condições para a cirurgia.
Expectativa e segurança
Além de oferecer a possibilidade de uma vida mais independente para as irmãs, a cirurgia representa um marco técnico e humano para a medicina goiana. "Toda a preparação foi feita com muito cuidado para oferecer a elas a melhor chance de recuperação e qualidade de vida", ressaltou o Dr. Zacharias Calil.
Segundo nota oficial do Hecad divulgada nesta sexta-feira (9), Kiraz e Aruna seguem internadas sob monitoramento clínico e apoio multidisciplinar intensivo.